
Palavra de um Ancião aos Jovens Ascetas
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“Se vires um jovem, por sua própria vontade, subir ao Céu, segura-o pelos pés e lança-o para baixo: isto lhe será proveitoso.”
Dos ditos dos anciãos.
Os santos Padres, como vemos em seus escritos inspirados por Deus, acima de tudo temiam e, por isso, preveniam contra a aspiração prematura à vida de silêncio — seja no deserto, seja no mosteiro. É para isso que os jovens monges e noviços, que não segundo a razão, mas com zelo pelo progresso espiritual, mais se sentem inclinados.
Mas, como neste nosso livro elogiamos — contrariamente ao louvável costume dos santos Padres — o deserto, mostrando sua beleza espiritual, julgamos necessário, em contraposição a isso, dizer algumas palavras de advertência.
Assim como um fruto ainda não amadurecido, sendo prematuramente colhido da árvore, torna-se impróprio para o consumo e perde toda a sua qualidade, doçura e agradabilidade, que necessariamente lhe pertenceriam segundo a natureza, se, amadurecendo, tivesse alcançado a sua plenitude; assim também o monge ou noviço que prematuramente sai para o deserto, em busca da elevada vida de silêncio, perde a beleza de sua alma. Nessa vida estão ocultos, segundo o autor da Escada, todo um mar de mistérios desconhecidos.
Os santos Padres ensinam: antes que o homem tenha adquirido domínio sobre si mesmo, de modo algum pode ir para o deserto a fim de levar uma vida de silêncio.
Mas o que significa adquirir domínio sobre si mesmo? Segundo o santo entendimento deles, isto consiste em alcançar uma profunda humildade, a qual se adquire por meio da obediência sincera ao próprio pai espiritual, ou guia, ao qual todo aquele que ingressa na vida monástica deve necessariamente submeter-se — quer viva no mosteiro, quer no silêncio do deserto. Pois, assim como o mestre é absolutamente necessário para o estudante, assim também o é para aquele que está começando na vida monástica.
E, permanecendo em plena obediência a um ancião, aquele que acaba de ingressar na vida monástica deve ouvi-lo em tudo, cortando inteiramente diante dele a própria vontade e o próprio entendimento; não deve confiar, como se diz no mundo monástico, em seu próprio entendimento, mas fazer tudo segundo o conselho de seu ancião, sem jamais transgredir suas determinações.
Deve ter para com seu ancião uma revelação sincera e aberta, não lhe ocultando nenhum pensamento e, muito menos, todo o estado de sua alma. Sem a bênção de seu ancião, não deve fazer nem empreender absolutamente nada. Deve suportar, sem murmuração, tudo aquilo que é doloroso e aflitivo.
De modo geral, porém, a humildade é adquirida por um profundo conhecimento de si mesmo, isto é, de sua própria natureza inteiramente corrompida pelo pecado.
Daí deve naturalmente nascer uma profunda tristeza por causa dos próprios pecados, manifestando-se numa disposição permanente de arrependimento da alma e derramando-se nas lágrimas de compunção do coração, as quais, segundo o ensinamento dos santos Padres, têm a propriedade de ceifar os pecados como o fogo consome a palha. Indo ainda mais além, é necessário, por um sentimento de desconfiança em relação a si mesmo, estabelecer em si uma constante autocondenação e autorrrepreensão, esforçando-se para ver-se pior do que toda a criação; considerando todos os homens melhores do que si mesmo e a si próprio pior do que todos.
Esse conhecimento é mais precioso e mais elevado do que qualquer outro, porque nos coloca no caminho correto em nossa relação com Deus e torna livre de impedimentos a vinda até nós da força de Deus.
Mas, mesmo com tudo isso, a humildade nos é dada somente pela força e misericórdia de Deus; por nós mesmos não podemos adquiri-la por quaisquer métodos ou meios. Toda a causa de nossa falta de progresso na virtude, de nossa estagnação e imobilidade na prática espiritual, consiste precisamente no fato de não haver em nós a benéfica consciência de nossa pobreza, nem a invocação da ajuda de Deus. “Não tendes”, diz o Apóstolo, “porque não pedis” (Tg 4:2). E não pedimos porque, por causa de nosso orgulho, não queremos sentir necessidade da ajuda de Deus. Pois seria possível imaginar que o Senhor Deus, rico em misericórdia, que deseja nossa salvação mais do que nós mesmos a desejamos, recusasse ajudar-nos quando Lhe pedimos, reconhecendo sinceramente nossa pobreza espiritual, nossa impotência e incapacidade? Nisso, precisamente, consiste nossa correta disposição interior: conhecer nossa impotência moral e a inevitável necessidade da ajuda de Deus. Mas, se, sem termos consciência disso, nos fosse concedida a ajuda celestial, evidentemente isso não nos serviria para o bem, porque, não reconhecendo nossa necessidade da ajuda de Deus, atribuiríamos a nós mesmos os êxitos no bem. E nisso haveria manifesta injustiça, na qual Deus não pode estar, pois Ele é o Deus da justiça e da verdade.
Para viver no deserto com proveito, é necessário aprender o combate mental, que é excelentemente explicado no livro do santo Presbítero Hesíquio. Para uma explicação a seu respeito, remetemos àquela obra aqueles que desejarem saber em que ele consiste.
Sobretudo, ninguém deve, de modo algum, sair para o deserto a fim de levar uma vida de silêncio sem a bênção de seu ancião.
Toda a vida daquele que vai para o deserto deve ser conhecida por seu ancião; e também ali, nos primeiros tempos, este deve submeter-se ao ancião. Tudo isso é exigido pelas leis fundamentais da vida monástica, elaboradas pela experiência de mil anos dos santos ascetas, imitadores de Cristo.
Mas, para grande tristeza nossa, é preciso dizer francamente, como já se observa há muito tempo, que hoje é difícil encontrar anciãos que verdadeiramente compreendam a vida espiritual, devido à sua escassez. Por isso, segundo o ensinamento de Nil Sorsky e do ancião Paisius Velichkovsky, é necessário guiar-se pelos escritos dos santos Padres, percorrendo o caminho real, que, segundo o autor da Escada, consiste em que duas ou três pessoas se unam e, por esforço conjunto, examinem o caminho da salvação indicado pelos santos Padres. E isso para aqueles que vivem no deserto; no mosteiro, porém, há a sua própria regra.
Vemos um fenômeno muito triste na experiência, vivendo em meio à atual vida do deserto. E nos vem à memória um caso descrito no Patericon.
Chegou a um mosteiro um jovem noviço e, encerrando-se em sua cela, disse: “Já sou eremita.” Os Padres sábios em Deus daquele mosteiro, porém, tiraram-no de sua cela e obrigaram-no a entrar na cela de cada um dos Padres e a dizer: “Perdoai-me, Padres; não sou eremita, mas noviço!”...
Na vida espiritual, sem ter realizado o que precede, não se pode passar ao que vem depois. Aqui não são possíveis saltos; tudo, tal como no crescimento corporal, realiza-se gradualmente.
Além disso, é preciso ter em vista que aquele que vive no deserto encontra aflições de uma espécie particular — extraordinárias, terríveis e frequentes — que não é possível transmitir com exatidão. Sem falar das privações corporais, difíceis de suportar, o inimigo atormenta com aquele desânimo mortífero do qual os que não vivem no deserto não fazem sequer ideia. E diz a verdade o santo autor da Escada, ao afirmar que ali só podem viver aqueles monges que possuem a consolação divina, pela qual facilmente repelem todas as setas inflamadas do adversário. E ele ainda diz: “Que não nos engane o zelo insensato e presunçoso; e não busquemos o que desejamos antes de seu tempo, para que não sejamos privados daquilo que poderemos receber no tempo próprio.”
Ele explica a mesma verdade por meio de outro exemplo:
“Não é sem perigo que um soldado, inexperiente no combate singular, se separe de seu exército e entre sozinho em combate com o inimigo; tampouco é sem perigo que o monge comece a vida de silêncio sem ter experimentado e aprendido, por longo exercício, a dominar as paixões. Aquele perece corporalmente; este, espiritualmente. Pois o caminho do verdadeiro silêncio é o caminho dos sábios e somente daqueles que, em seu difícil combate ascético, adquiriram a consolação divina e o auxílio para a batalha.”
O grande Barsanúfio, quando um dos irmãos lhe leu no Patericon que aquele que verdadeiramente deseja salvar-se deve primeiro viver na fraternidade, suportar, segundo o exemplo do Senhor, injúrias, ultrajes e desonra, e outras coisas semelhantes, e somente depois ir para o silêncio perfeito, que é uma ascensão à cruz, isto é, a mortificação de si mesmo para tudo o que é terreno e mundano, respondeu: “Os Padres disseram corretamente; não pode ser de outro modo.”
E a outro disse: “Antes que o homem entre em si mesmo e adquira domínio sobre si, o silêncio gera altivez; e possui domínio sobre si aquele que é perfeito na humildade.”
E ainda disse: “Se ousares ultrapassar tua medida ou teu limite, sabe que perderás até mesmo aquilo que possuías. Mas conserva-te no meio e atende à vontade de Deus. Pois aquele que quiser ficar livre de preocupações e, antes do tempo, lançar de si todo cuidado exterior e todo trabalho, o inimigo comum lhe preparará muito mais perturbação do que paz e o levará a tal ponto que será obrigado a dizer: ‘Melhor seria para mim não ter nascido.’”
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