
Observação geral sobre a Oração de Jesus
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Agem muito mal e incorretamente (para seu próprio prejuízo) aqueles dentre os ascetas que, zelando pelas coisas espirituais, buscam na Oração de Jesus exclusivamente consolações espirituais, iluminações interiores, êxtases do coração para Deus; em uma palavra — estados elevados.
Tudo isso é rigorosamente proibido pelos santos Padres, por revelar no homem uma perniciosa altivez de pensamento, pela qual ele se considera digno dessas elevadas medidas. Para tal pessoa seria mais proveitoso não se ocupar de modo constante com a Oração de Jesus, mas contentar-se apenas com a oração comum da Igreja e com sua regra de cela.
A Oração de Jesus deve necessariamente estar imersa em sentimentos de arrependimento; e tal disposição deve ser contínua durante toda a nossa vida, de acordo com o ensinamento de todos os santos Padres sobre esse assunto. Ao exercitar-se na oração, é preciso ter como objetivo purificar o coração dos pecados e dos apegos terrenos por meio da contrição, das lágrimas e da compunção — e, com isso, preparar-se para receber o Senhor Jesus na oração pura, celestial e não dispersa, na qual se realiza nossa reconciliação e comunhão espiritual com Ele. E somente aqui, precisamente num coração puro e numa profunda e sincera humildade, com amor ao próximo, podem surgir e atuar os mais elevados graus da verdadeira oração do coração, que nos une a Deus e nos permite saborear n'Ele a vida eterna.
Agora vejam como agem de maneira nada louvável e reprovável, e como se mostram inteiramente irreverentes para com o objeto elevadíssimo da oração, aqueles que se empenham nisso e que, não tendo estado no cadinho do arrependimento e não tendo sido, por assim dizer, consumidos pelo fogo dos sentimentos de sua própria grave culpa diante de Deus, nem lavado as impurezas dos pecados com lágrimas de sincera contrição, dirigem-se impudentemente para onde somente os puros de coração contemplam a Deus.
“As coisas de Deus”, dizem os Padres, “vêm por si mesmas.” Isso é verdade. Mas é preciso que o lugar destinado a recebê-las esteja limpo.
Se os santos Padres, por vezes, em seus escritos, também proíbem a Oração de Jesus, fazem-no somente quando ela procede de motivações incorretas, isto é, quando nela se buscam exclusivamente êxtases espirituais; porque aqueles que assim oram adquirem uma opinião orgulhosa sobre si mesmos e, com isso, desonram a oração — pela qual, de modo algum, é culpada a própria oração, mas sim a atitude incorreta que eles têm para com ela. Mas a oração realizada em arrependimento e humildade, com o objetivo de reconciliar-se com Deus, de obter Sua misericórdia e, depois, unir-se a Ele, os santos Padres apresentam em toda parte como meio necessário e indispensável para a salvação eterna. E isso não somente para os monges, mas também para os leigos, como foi dito na primeira página deste nosso livro.
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